Um caderno de leituras

"esguias Graças, Musas de mais magas tranças,
vinde, vinde agora"

Safo

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

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William Butler Yeats



VERSOS ESCRITOS EM DESALENTO

Quando é que eu vi pela última vez
Os olhos verdes redondos e os corpos longos vacilantes
Dos leopardos escuros da lua?
Todas as bruxas selvagens, aquelas senhoras muito nobres,
Por todas as suas vassouras e as suas lágrimas,
Suas lágrimas de raiva, fugiram.
Os santos centauros das colinas desapareceram;
Não tenho nada para além do amargado sol;
Banida mãe lua heróica e desaparecida,
E agora que cheguei aos cinqüenta anos
Tenho que agüentar o tímido sol.

Tradução de Antonio de Campos

terça-feira, 26 de agosto de 2008

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

SANTO SOUZA


divulgação

Santo Souza


OPUS 8

de auroras,
noites
e sereias

Jogo os dados no mar, como quem joga
a sorte das estrelas ou do vento,
e fico a embaralhar as ondas, como
o lúcido hierofante que desvenda

nas cartas o destino dos mortais.
Não sei qual é a carta-chave, mas
capto o sentido exato e a voz de quem
profere a frase mágica de tudo.

E se há no fundo náufragos que vão
com dedos ágeis folheando páginas
de noites e de auroras impossíveis,

na superfície há sempre olhos profanos
de peixes e sereias, traduzindo
o jogo de meus dedos sobre o mar.

domingo, 24 de agosto de 2008

Adônis


O Despertar de Adônis (1900), de
John William Waterhouse (1849-1917).

CAMILO PESSANHA


fonte: wikimedia commons

Camilo Pessanha


SONETO

19

Imagens que passais pela retina
Dos meus olhos, porque não vos fixais?
Que passais como a água cristalina
Por uma fonte para nunca mais!...

Ou para o lago escuro onde termina
Vosso curso, silente de juncais,
E o vago medo angustioso domina,
- Porque ides sem mim, não me levais?

Sem vós o que são os meus olhos abertos?
- O espelho inútil, meus olhos pagãos!
Aridez de sucessivos desertos...

Fica sequer, sombra das minhas mãos,
Flexão casual de meus dedos incertos,
- Estranha sombra em movimentos vãos.