Um caderno de leituras

"esguias Graças, Musas de mais magas tranças,
vinde, vinde agora"

Safo
Mostrando postagens com marcador Leconte de Lisle. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Leconte de Lisle. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 27 de maio de 2009

LECONTE DE LISLE


reprodução

Leconte de Lisle


PAISAGEM POLAR

Do mar a imensa escuma o frio aglomerou-a,
e um mundo morto fez, sem luz, sem vegetais,
e onde do gelo duro as agulhas fatais
rasgam do fusco céu a perpétua garoa;

em avalanches rola a neve, e se amontoa...
Tudo estéril; e atroz confusão de infernais
brados, imprecações, roncos, soluços e ais,
que aos seus clarins de ferro o vento arranca, troa.

Nivoso, hirto, glacial, das brumas através,
o branco e antigo deus, pai das primevas raças,
inteiriçado jaz, do promontório aos pés...

E, a babar de volúpia, em meio à cerração,
os ursos - colossais e formidandas massas -
trôpegos, cá e lá bambaleando vão...

Tradução de Raimundo Correia