"esguias Graças, Musas de mais magas tranças,
vinde, vinde agora"
Safo
terça-feira, 21 de abril de 2009
PAUL CELAN
CHOUPO...
Choupo, a tua folhagem espreita, branca, na escuridão.
O cabelo da minha mãe nunca enbranqueceu.
Dente-de-leão, assim tão verde é a Ucrânia.
A minha loura mãe não voltou a casa.
Nuvem de chuva, demoras-te na fonte ?
A minha silenciosa mãe chora por todos.
Estrela redonda, tu engoles o laço dourado.
O coração da minha mãe foi ferido pelo chumbo.
Porta de carvalho, quem te ergueu dos gonzos?
A minha doce mãe não pode voltar.
Tradução de Luís Costa
sábado, 11 de outubro de 2008
PAUL CELAN
Paul Celan
DISTÂNCIAS
Olho no olho, no frio,
deixa-nos também começar assim:
juntos
deixa-nos respirar o véu
que nos esconde um do outro,
quando a noite se dispõe a medir
o que ainda falta chegar
de cada forma que ela toma
para cada forma
que ela a nós dois emprestou.
ERRÁTICO
As noites se fixam
sob teu olho. As sílabas re-
colhidas pelos lábios — belo,
silencioso círculo —
ajudam a estrela rastejante
em seu centro. A pedra,
um dia perto da fronte, abre-se aqui:
ante todos os
espalhados
sóis, alma,
estavas, no éter.
Tradução: Claudia Cavalcanti
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
TRISTAN TZARA
Tristan Tzara
PRELIMINAR
cabelos desfeitos sentem a nuvem de sangue
do teu sangue frágil
lenta ao presságio do amor
lenta
pelas veias rumo à vibração hospitaleira
do teu sangue
lenta
febre frágil hipótese sem amor
dorme sem pálpebras os pés de lado
sobre a escala das costelas a tosse
balbucia sua pequena repetição aritmética
Tradução de Virna Teixeira